A importância da nutrição no desporto

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Melhorar a alimentação é potenciar o rendimento ?

 Você é o que você come!Há quem diga que somos o que comemos, e se assim é, devemos privilegiar uma alimentação cuidada e equilibrada. A comida faz parte do nosso quotidiano, o ato de comer é algo que fazemos repetidamente ao longo dos nossos dias e que, na maioria das vezes, nos dá prazer. Os nutrientes e as vitaminas que adquirimos através dos alimentos são essenciais para que o nosso corpo consiga desenvolver todas as suas funções perfeitamente. A par disto, está comprovado que dietas desadequadas e que privam o corpo da ingestão de determinados alimentos, estão intimamente ligadas a doenças como alguns tipos de cancro ou mesmo pressão arterial elevada (JR, 1984)

No que diz respeito ao desporto e à prática desportiva, não é diferente. A par do rigor, da disciplina, e do empenho que os atletas colocam nos seus treinos, existem outros fatores que são chave para otimizar a performance desportiva.  De entre esses fatores, a nutrição é fulcral, sendo este facto reconhecido por várias organizações (Thomas, Erdman, & Burke, 2016). Uma boa alimentação permite que o corpo obtenha a energia essencial ao bom funcionamento de todos os processos envolvidos na prática desportiva. Contrariamente, um consumo desadequado dos alimentos pode resultar num aparecimento de lesões, num processo de fadiga mais intenso e numa recuperação muscular mais lenta.

Alimentos saudáveisSe considerarmos que o próprio corpo acaba por ser a “ferramenta” de trabalho dos atletas, facilmente percebemos o quão importante é que o corpo tenha as condições necessárias para atingir os objetivos delineados.

Durante um processo de treino físico intenso um atleta pode gastar até 30% da sua reserva energética para 24 horas (JR, 1984) tendo implicações diretas nas necessidades de reposição de água e de substratos energéticos. As proteínas são degradadas, os aminoácidos oxidados e elementos como o sal, o potássio e o magnésio são perdidos em quantidades significativas através do suor (JR, 1984). Tais alterações pedem respostas adequadas, nomeadamente através de estratégias nutricionais que os atletas adotam, e que lhes permitem continuar a treinar ao mais alto nível sem comprometer a qualidade da sua performance (Maughan & Shirreffs, 2012).

Suplementação Desportiva

Atualmente muitos atletas recorrem também a suplementos alimentares que lhes fornecem de forma direta os elementos exatos que necessitam de repor e, ainda que esta prática seja bastante comum no mundo profissional e amador do desporto, a ingestão destes suplementos deve ser feita com prudência uma vez que estes trazem vários riscos associados (Lawrence & Kirby, 2002) (Molinero & Márquez, 2009).
Posto isto, é importante ressalvar que as necessidades de um atleta dependem do seu próprio organismo e também das exigências que este enfrenta e que lhe são impostas pelo desporto que pratica. Desportos de resistência pedem dos seus atletas uma preparação diferente dos desportos de velocidade e o plano nutricional de cada atleta deve ter isto em consideração.
Assim sendo, todos os atletas devem ser acompanhados por um nutricionista que lhes saiba identificar as principais necessidades e a forma mais adequada de responder aos desafios impostos.

Referêcias
JR, B. (1984). Nutrition and sports performance. Sports Medicine, 1(5).
Lawrence, M., & Kirby, D. (2002). Nutrition and Sports Supplements: Fact or Fiction. Journal of clinical gastroenterology , 35(4), 299-306.
Maughan, R., & Shirreffs, S. (2012). Nutrition for sports performance: issues and opportunities. The Proceedings of the Nutrition Society , 112-9.
Molinero, O., & Márquez, S. (2009). Use of nutritional supplements in sports: risks, knowledge, and behavioural-related factors. Nutrition Hospitalaria, 24(2), 128-34.
Thomas, D., Erdman, K., & Burke, L. (2016). Position of the Academy of Nutrition and Dietetics, Dietitians of Canada, and the American College of Sports Medicine: Nutrition and Athletic Performance. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, 116(3), 501-528.
Artigo por:
Beatriz Dias, (Licenciada em Biologia Aplicada).