O Infravermelho e a saúde do corpo

Todos sabemos que luz é vida, mas nem todos os tipos de luz permitem que os vejamos. O infravermelho, nada mais é do que uma energia luminosa não perceptível à visão do ser humano, mas, percebida em forma de calor pela sensibilidade da pele.

A luz infravermelha é dividida em 3 categorias de comprimento de onda: curto, médio e longo, e é medida em mícrons (µ), como é possível verificar na Figura 1. Os raios do infravermelho longo oferecem a maioria dos benefícios à saúde pois são capazes de penetrar entre 5 a 7 cm no corpo, aumentando suavemente a temperatura do mesmo.


Figura 1 – Espectro Electromagnético

Estes raios possuem um comprimento de onda entre 4 e 14 mícrons sendo semelhantes aos raios solares do início das manhãs e dos finais de tarde. Nestas situações, os raios solares são extremamente benéficos ao homem, auxiliando na desintoxicação das células e no aumento da imunidade do organismo, o que pode levar a prevenir doenças e manter o corpo mais saudável.

Sabias que a luz infravermelha não é novidade na medicina? Ela já é usada em muitas aplicações médicas, produzindo calor e aumentando a circulação sanguínea, e assim recuperando o tecido do corpo danificado e ativando as principais funções do mesmo.

Falando em corpo humano, por este ser composto essencialmente por água, quando não existe movimento, as suas moléculas agrupam-se formando aglomerados que retêm toxinas e impurezas. A ação da luz infravermelha quebra os mesmos facilitando a eliminação das toxinas e isto já foi comprovado pela pesquisa realizada na Universidade de Iowa nos EUA, em 2003 (Figura 2).

Figura 2 – Quebra dos aglomerados de água pela irradiação do infravermelho longo.

Outra linha de estudos científicos, realizados pela Universidade de Cambridge – Grã-Bretanha, comprovou que o uso do infravermelho longo estimula a circulação do sangue e equilibra o metabolismo do corpo de forma natural. Também observou a melhoria da fadiga muscular pela redução do ácido láctico originado pelo aumento da circulação de oxigénio no corpo. Isto leva à diminuição em até 75% das dores articulares e neuromusculares com o benefício de uma acção adicional anti-inflamatória.

Uma forma muito utilizada, principalmente pelos povos orientais, para irradiar infravermelho ao corpo é impregnar nas fibras das roupas micropartículas cerâmicas que possuem a propriedade de transformar o calor emitido pelo corpo em ondas de infravermelho longo. Assim, camisolas, calções, leggings, joelheiras, punhos, meias, palmilhas e cotoveleiras são oferecidas no mercado dirigidas a pessoas idosas, atletas, profissionais com lesões neuromusculares ou articulares, etc. Estas roupas quando utlizadas durante um determinado período (6 a 8 horas ou durante o sono) produzem um efeito térmico relaxante, aproveitando o calor do corpo para gerar benefícios ao seu próprio metabolismo, conforme apresentado na Figura 3 onde se observa uma melhoria da circulação sanguínea pela vasodilatação que acaba por aliviar a dor. Nesta figura a termo-imagem da esquerda foi obtida após o uso de uma camisola irradiadora de infravermelho longo, e do lado direito, com o uso de uma camisola comum. A temperatura corporal da imagem do lado esquerdo apresenta uma distribuição mais homogénea devido à vasodilatação.

Figura 3 – Imagem termográfica de um paciente com e sem a acção do infravermelho.

Cada vez mais as pessoas procuram tratamentos alternativos aos medicamentosos tradicionais que geralmente apresentam efeitos colaterais indesejáveis. Portanto, a utilização do infravermelho longo é extremamente positiva à saúde, actuando como coadjuvante em tratamentos médicos.

(Autor do Artigo: Eng. Micaela Rodrigues – Engenheira Biomédica)